Desde a abertura da importação de veículos em meados de 1990, decretada pelo então presidente Fernando Collor, o segmento vem crescendo tanto em números quanto em opções disponíveis. Nesta época, o Plano Collor acabara de derrubar a alíquota de importação de 70% para cerca de 20%, tornando mais acessível para o povo brasileiro a opção de veículos mais modernos e luxuosos Acompanhando o ritmo de crescimento da indústria automobilística nacional, os importados associadas à Abeiva registraram alta de 230% de janeiro a maio desse ano se comparado ao mesmo período do ano passado, mesmo com a elevada alíquota de importação de 35%. A expectativa é que se venda cerca de 22 mil veículos importados ainda esse ano. Esses números, porém, nem sempre foram favoráveis. Em 2003, por exemplo, o país registrou o pior ano da história dos importados, vendendo cerca de 3.302 modelos, pouco menos de um terço do que foi registrado de janeiro a maio deste ano (10.082). Graças à queda do dólar e valorização do real perante ao euro, além do crescimento da economia nacional, muita gente que nem sonhava em ter um importado na garagem mudou de idéia e investiu no sonho.
Os veículos utilitários são os que mais chamam a atenção do consumidor. Seu segmento é responsável pela maior fatia do mercado, seguido pelos sedans de luxo. O Tucson, SUV compacto da montadora coreana Hyundai, é o líder de vendas dentre os importados, com uma média mensal de cerca de 1.300 emplacamentos. A tradicional marca de off-roads Land Rover também tem suas vendas indo de vento em popa: é uma das montadoras que mais cresceram no país, impulsionada principalmente pelo Freelander 2, detentor de 55% do mix da marca. Ultrapassando a fatia da Nissan, Hyundai e Mitsubishi, que têm fábrica no país, a Mercedes-Benz fechou o primeiro semestre com 1,9% de participação nacional.

Diferentemente do que ocorre com os modelos nacionais, que encareceram cerca de 75% em sete anos, a maioria dos importados não ficaram mais caro. Pelo contrário, muitos até reduziram seu preço inicial, mesmo com a chegada de novas gerações, tecnologia e opções de motorização. Um Audi A4 1.8T limousine custava em 2004 cerca de R$ 159.580. Hoje um modelo semelhante sai por R$ 149.990, uma redução de 6,1%. O retrô PT Cruiser da Chrysler ficou 29.86% mais barato. Custava, na mesma época, R$ 99.789, passando a valer hoje R$ 69.900, na mesma opção de acabamento. O segmento dos utilitários, o mais procurado ultimamente, foi o que mais registrou declínios de preço, como do Jeep Cherokee Sport (-21.7%), Jeep Cherokee Limited (11.6%), Mercedes-Benz ML 500 (-8.5%), Hyundai Tucson (-12.5%) dentre outros. Alguns mantiveram seu preço inalterado, como é o caso da Mercedes-Benz C180K Classic de 2005 e a C200K Classic de 2008. Outros tiveram um leve acréscimo, porém nada assustador como a média nacional. Um Toyota Camry V6, por exemplo, passou a custar R$ 135.000, 6 mil reais a mais que um modelo semelhante em 2005.

Além de verem os preços despencarem, no geral, o consumidor ainda conta com mais outra boa notícia: a oferta de modelos cresceu mais de 64% em cinco anos, mesmo com a saída de marcas tradicionais, como Suzuki e Alfa Romeo. O mercado de importados está mais flexível e concorrente, oferecendo desde compactos que partem dos R$ 23.000 até super esportivos que chegam a 4 milhões de reais. As primeiras unidades dos veículos chineses já desembarcaram no país e em breve uma enxurrada de novas opções tomarão as concessionárias. As vendas dos importados continuam crescendo em ritmo acelerado, forçando setores do governo a reduzirem as barreiras à importação. Uma proposta de redução dessa alíquota para algo em torno de 10,5% estava sendo estudada, mas conta com diversos obstáculos pela frente. Empresários industriais dos setores que seriam prejudicados pela redução da alíquota argumentam que a realidade atual é diferente da do começo dos anos 90, pois uma redução brusca nas taxas de importação deixaria parte da moderna indústria desprotegida, numa conjuntura marcada por altas taxas de juro, câmbio valorizado, concorrência chinesa e ausência de reformas estruturais, como tributária, trabalhista e judiciária.

Por: Fillipe Vivas