Acompanhando a alta de vendas de veículos novos no Brasil, o mercado das motos novas também tem quebrado recordes de vendas. Em junho, as vendas de motocicletas no país alcançaram 174.962 mil unidades, superando o melhor resultado já registrado, que foi em abril deste ano com 173.870 mil motos vendidas. Em relação ao primeiro semestre de 2007, houve um aumento de 23% nas vendas.
O contínuo crescimento das vendas de motos possui muitas causas, entre eles o menor custo existente em relação aos veículos, considerando que atualmente é possível comprar uma moto pagando até R$ 90,00 mensais, além da maior economia para rodar, já que segundo dados da Associação Nacional de Transportes Públicos rodar 7 km num grande centro urbano custa R$ 0,60 centavos com uma moto, ante os R$1,20 e R$1,80 gastos para se rodar o mesmo trajeto com um ônibus e carro respectivamente. Outro fator que influencia para o aumento de vendas das motos no Brasil é a evidente economia de tempo que se conquista com esse meio de transporte. Nos mesmo trajeto de 7 km já citado, uma motocicleta leva em média 16 minutos para cumpri-lo, enquanto um carro precisa de pelo menos de 20 minutos e um ônibus 43 minutos. Com todos esses aspectos, estima-se que no período de 3 a 5 anos, serão vendidas mais motos do que carros no Brasil. Na maior cidade do país, São Paulo, as motos já representam 8% de toda a sua frota, alcançando um número de cerca de 430 mil unidades.
Uma consequência clara do que pode acontecer é aumentar o índice de acidentes nas vias brasileiras (voltando ao exemplo de São Paulo, dados afirmam que um motoqueiro morre por dia no trânsito da cidade), que já corresponde por 29,5% das mortes no trânsito no Brasil, o equivalente a cerca de 30 mil mortes por ano.
Mas outra grave conseqüência que o crescimento sem controle de motos nas ruas pode causar é o aumento da poluição do ar, já que mesmo não parecendo, uma motocicleta nova pode poluir até 6 vezes mais do que um carro novo. Estudos da Cetesb, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, afirmam que a concentração dos gases mais emitidos por motocicletas (carbonos e hidrocarbonetos) aumentaram na Grande São Paulo. Em 1994 as motos contribuíam com 1,6% da emissão de gases à atmosfera, passando para 13,38% em 1998. Nas grandes cidades a preocupação com a poluição das motocicletas é ainda maior, já que uma moto acaba rodando em média, 180 km por dia, enquanto um carro roda em média 30 km. Ou seja, uma única moto pode chegar a poluir tanto quanto 120 automóveis. Pelo fato de que legislações ou pesquisas sobre a emissão das motocicletas nunca forem efetivamente desenvolvidas, não havia muito estímulo para que os fabricantes desses veículos instalassem catalisadores ou sistemas de controle de emissões. Atualmente já se sabe as conseqüências que o aumento de motocicletas nas ruas sem um devido cuidado pode causar, e assim vários órgãos tem tomado medidas para o combate e controle da emissão de poluentes emitidos por motocicletas, como já é feito com veículos de quatro rodas. Pequenas medidas que podem colaborar, e muito, com o planeta.
Por: Carlos Eduardo Tobias

